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No mundo cada vez mais conectado de redes sociais, em que tudo tem velocidade recorde, os adolescentes nunca estiveram tão sós. Não seria o contrário? Mais conexão e mais felicidade? Pois não, é estrondoso o aumento dos casos da depressão.

Uma das fases da vida mais propícias para o aparecimento desse desconforto de não conseguir ver o amanhã com esperança é na adolescência. Leia também o texto deste mesmo site:

O cérebro adolescente!

Deste modo, após entender isso, que o cérebro adolescente é mais vulnerável à depressão, pois a amígdala está relacionada às reações emocionais e ao comportamento impulsivo, e estes neurônios estão mais ativos do que na fase adulta, conclui-se que os jovens sentem as emoções de forma mais intensa, e tornam-se mais irritados e ansiosos.

Mas o que hoje arrasta tantos jovens para a tristeza sem fim? A professora de Psicologia Jean Twenge, da Universidade de San Diego arrisca dizer que os smartphones destruíram uma geração. Soa paradoxal, mas numa era em que tudo é compartilhado o tempo todo, os adolescentes andam muito sós, escondidos atrás dos dois sinaizinhos do whatsapp. Os adolescentes acordam, dormem, comem, estudam, vão para a festa e ao banheiro, sempre de olho no celular, quando recebem respostas rápidas, com emoticons e frases prontas, abreviadas e símbolos. A vida anda 100% conectada. A espera pela resposta do whats aumenta a ansiedade e a irritação, e favorece os sintomas da depressão.

Até recentemente, o poder dos jovens tinha outros símbolos, era sair sem horário para voltar pra casa, beber, fumar escondido, e hoje temos jovens cabisbaixos sobre as telas luminosas, sem cigarro, talvez sem bebida, à espera de um sinal de existência do lado de lá da conexão. Estudos comportamentais e biológicos já esclareceram que a ansiedade serve como alimento para os processos depressivos, a partir da ação do cortisol, hormônio liberado quando há estado de atenção e alerta. O stress crônico prejudica as conexões cerebrais, favorecendo a depressão.

Um levantamento da Universidade Duke, dos Estados Unidos, apontou a relação direta do uso abusivo das novas tecnologias com a depressão. Os pesquisadores acompanharam, durante um ano e meio, o dia a dia de uma centena de adolescentes com idade entre 11 e 15 anos, diagnosticados como potenciais portadores de transtornos ligados à saúde mental, como a depressão. Os participantes que usavam tecnologias digitais por mais de duas horas e meia por dia tendiam a exacerbar comportamentos associados à depressão. Quando a exposição era menor, o uso dos aparelhos operava no sentido contrário: ajudava a diminuir os sinais de angústia.

As relações sociais intermediadas por aparelhos eletrônicos, quando se abre mão do contato físico e da conversa olhos nos olhos, ajudaram a acelerar outro fenômeno, um pouco mais antigo e muito relevante: o da superproteção dos pais.

Filhos que não são frustrados perdem a capacidade de resiliência. Os resultados são visíveis. Os jovens namoram menos que antes, a primeira relação sexual ocorre mais tarde, e a postergação das responsabilidades e dos prazeres da vida adulta está associada à educação superprotetora.

Some-se a ansiedade digital, com a superproteção, a revolução da idade e veja no que dá. Os adolescentes ficam mais vulneráveis. E para isso precisamos estar atentos tanto à educação que se fornece aos filhos, como aos sinais que eles dão para indicar que algo não está bem.

Os riscos estão maiores, pois estamos na era digital. Obviamente temos que acompanhar a evolução, pois ela está aí…mas com muita moderação.

 

Fonte: Informações Revista Veja, da 25/05/2018


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